Coluna do Josias Miguel: Otto Alencar e o dia 30 de março

Em 30 de março de 2010 Otto Alencar deixou o Tribunal de Contas dos Municípios onde era Conselheiro, que significa na prática que ali poderia permanecer até sua aposentadoria, portanto em posição confortável, bem distante das costumeiras e cansativas campanhas eleitorais.

Jaques Wagner então pré-candidato à reeleição como governador da Bahia necessitava de alguém para compor a chapa como vice-governador que tivesse alguns predicados, mas especialmente que tivesse força para convencer o universo de políticos e eleitores alinhados com ideologia de centro de que Wagner, embora de esquerda, seria a melhor opção, que tivesse imagem de vencedor, honesto, competente e habilidoso e com livre trânsito no ninho político do chamado Carlismo.

Ninguém melhor do que Otto para a missão. Afeito a desafios, não titubeou, deixou de lado o conforto e confirmou nas urnas a eleição da chapa Wagner/Otto. Em 2014, a presença de Otto na chapa majoritária era imprescindível para garantir a eleição de Rui Costa como sucessor de Wagner e Otto não se fez de rogado compondo a chapa como candidato a Senador. Eleito, termina seu mandato ano que vem. Fica claro, portanto, que após servir como fiel da balança para eleições de Wagner e Rui seu caminho natural seria a candidatura a governador com o apoio dos dois líderes petistas e toda a base governista. Se considerarmos que em 2022 terá apenas uma vaga para Senador da Bahia e a chamada base governista tem quatro líderes importantes que precisa ser acomodados em mandatos, são eles Rui Costa, João Leão, Jaques Wagner e Otto Alencar.

Menos traumático talvez fosse Rui renunciar o mandato seis meses antes e disputar a cadeira de senador, neste caso João Leão assumiria o governo e garantiria a reeleição com folga do filho Cacá como deputado federal, Wagner continuaria no Senado por mais quatro anos e Otto seria candidato a governador. Difícil de acontecer, porém em política tudo é permitido. E se assim não for, qual seria a equação para garantir que o fiel Otto Alencar não ficasse sem mandato a partir de 2023? E se não houver por parte de Rui e Wagner a reciprocidade merecida pelo Senador, o que faria ele? Só para lembrar, na chapa de ACM Neto tem vaga para senador e os resultados das urnas em 2020 trouxe cacife suficiente para o PSD representar o equilíbrio das urnas em 2022.

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